Era regra. Desde seu primeiro vídeo-game, o Atari 2600, que ganhou de seu pai quando tinha 6 anos, em 1983, e costumava selecionar os vizinhos do prédio para jogar, trocando favores dos mais inocentes aos mais banais, as coisas nunca mais vieram perfeitas. Era como se todo produto que ele comprasse durante aquela década de 80, e nas próximas também, viesse com defeito e ele fosse obrigado a trocar. O Atari 2600, durante aquele jogo dos boxeadores de nariz, fazia com que o controle de botão alaranjado rangesse mais do que o normal. O Genius chamava ele de burro repetindo, sempre em escala geométrica, as mesmas sequências de cores. E o Aquaplay de basquete não tinha argolas suficientes para mantê-lo entretido durante 5 minutos, durante o programa do Fofão, que era obrigado a assistir enquanto sua irmã colava as figurinhas “Amar é…” recortadas do jornal diariamente.
Foi apenas quando chegou o Cubo Mágico, resolvido em míseros 13 minutos, contados no relógio Champion, que trocava as pulseiras, que percebeu a ausência de seus pais e, depois de desmontar todos os seus brinquedos tecnológicos, inclusive aquele Atari 2600, montou um robô que conseguia desligar o botão da televisão, enquanto sua irmã assistia, também, A Turma do Balão Mágico. Mal sabia ele que as imperfeições de seus presentes capitalistas e, porque não, de sua vida, o fizeram subestimar seu real nível de inteligência optando por, em 1994, faculdade de administração ao invés do novíssimo curso de informática.
(em casa / ao som de uma música relax / 4 horas da manhã / esse texto eu escrevi a uns 3 anos atrás / categoria do post: “mal sabiam eles que”)
